Esta outra reportagem, feita pelos repórteres da Rede Globo Marcelo Canellas e Lúcio Alves, mostra a dramática situação da fome na Nicarágua e em Honduras. Gostaríamos de parabenizá-los por nos mostrar a realidade.Um flagelo que atinge todo o mundo, que faz mais de 900 milhões de vítimas, que foi agravado, nos últimos dois anos, pela disparada no preço dos alimentos: a fome.
Em pleno século 21, ela é ainda uma ameaça. Com a crise na economia mundial, tempos ainda mais sombrios se anunciam. Há menos dinheiro para a agricultura. Os repórteres Marcelo Canellas e Lúcio Alves mostram como é dramática essa realidade. Eles viajaram pela Nicarágua e por Honduras.
Na cidade mais pobre da América Central, encontraram uma geração de pessoas que não cresce, porque não têm comida no prato. Mestiça, colorida, vibrante, mas sempre muito pobre. Onde é que está o dinheiro de Honduras?
“Comigo é que não está”, diz Rivaldo Lopez, que engraxa sapatos no centro de Tegucigalpa.
“Comigo é que não está”, diz Rivaldo Lopez, que engraxa sapatos no centro de Tegucigalpa.
Se não está na capital, a riqueza estaria no interior deste país fértil e montanhoso?
“É um lixo o salário aqui no campo” - o desabafo do agricultor é ouvido em cada banca da feira da cidadezinha de La Esperanza, a 200 quilômetros de Tegucigalpa.
“O adubo está caro demais, a cebola está cara demais. Este ano, tudo está mais caro”, reclamam os moradores.
“É um lixo o salário aqui no campo” - o desabafo do agricultor é ouvido em cada banca da feira da cidadezinha de La Esperanza, a 200 quilômetros de Tegucigalpa.
“O adubo está caro demais, a cebola está cara demais. Este ano, tudo está mais caro”, reclamam os moradores.
Margarito Gonzalez, veterano da companhia B de fuzileiros do Exército de Honduras, nunca fugiu da briga. Mas como jamais ganhou dinheiro, nem com guerra, nem com batata, está pensando em jogar a toalha. “Só nos resta tentar a vida em outros países”, lamenta.
Estima-se que um milhão de hondurenhos já estejam vivendo nos Estados Unidos. Número espantoso para um país de sete milhões de habitantes. Sete de cada dez hondurenhos ganham menos do que US$ 2 por dia.
Estima-se que um milhão de hondurenhos já estejam vivendo nos Estados Unidos. Número espantoso para um país de sete milhões de habitantes. Sete de cada dez hondurenhos ganham menos do que US$ 2 por dia.
“A pobreza você combate baixando o preço do adubo”, aponta um camponês. A receita do velho agricultor é a mesma da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
“Não há dinheiro para comprar comida”, diz o representante da Fao em Honduras, Compton Laurence. Ele aponta que o preço dos alimentos subiu muito no mundo todo, mas, de um ano pra cá, o preço dos insumos subiu ainda mais. As razões podem estar longe daqui, na especulação, na aumento da demanda, no preço do petróleo.
“Não há dinheiro para comprar comida”, diz o representante da Fao em Honduras, Compton Laurence. Ele aponta que o preço dos alimentos subiu muito no mundo todo, mas, de um ano pra cá, o preço dos insumos subiu ainda mais. As razões podem estar longe daqui, na especulação, na aumento da demanda, no preço do petróleo.
Mas as conseqüências estão no comércio de San Marcos de la Sierra, a cidade mais pobre da América Central. Quase a totalidade de seus 12 mil habitantes está abaixo da linha da pobreza.
“Não querem me pagar”, a comerciante Adelina Gomez mostra o caderno do calote. Vendendo fiado, as pequenas mercearias estão falindo.
E o pau-de-arara, tem algum passageiro? Tem um cachorro como único passageiro Sem dinheiro nem para ir embora de San Marcos, María Orlana vai vivendo como dá. “Não tenho feijão em casa”, diz.
“Não querem me pagar”, a comerciante Adelina Gomez mostra o caderno do calote. Vendendo fiado, as pequenas mercearias estão falindo.
E o pau-de-arara, tem algum passageiro? Tem um cachorro como único passageiro Sem dinheiro nem para ir embora de San Marcos, María Orlana vai vivendo como dá. “Não tenho feijão em casa”, diz.
Por ora, apenas uma caneca no fogo, água e sal. Maria deve ter, no máximo, 1,40 metro. Esse é um problema já detectado pelas autoridades. Os camponeses hondurenhos estão ficando cada vez mais baixos por causa da deficiência de nutrientes durante a infância. María já tem 21 anos, agora ela não cresce mais.
E com Brian, o filho de um ano e meio, o que acontecerá? Nem ele, nem ninguém em volta come as 2,5 mil calorias diárias que precisaria comer. Na casa vizinha, vive a mãe de María, avó de Brian.
Juana Dominguez não sabe a própria idade. Ficou viúva há três meses. Está desempregada e com um bebê de colo, um menino. Para ele, há o peito. Para os outros sete filhos só há uma coisa a oferecer. “Só tenho esperança”, lamenta.
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